Dear Kurt Cobain,
Eu sei que você não fala português, pede para alguém traduzir por favor.
Sei também que você não lerá isso, mas me ensinaram a acreditar em pelo menos 6 coisas impossíveis todos os dias, uma delas é que essa carta chegará em suas mãos.
Li muito a respeito de você, queria ter ido em algum de seus shows e me sentir parte da sua dor, queria ter te conhecido, te abraçado. Você ganhou tudo, ganhou admiradores, ganhou amigos, ganhou pessoas que te amam, ganhou uma família (e, só entre nós, eu sei bem como é ter a “família” que você tinha). Eu queria ter tido metade do que você teve, queria poder ter sido vista, amada, ou algo do tipo. Acho que a falta de costume com isso te enlouqueceu, fico me perguntando se me enlouqueceria também.
Você é a pessoa mais corajosa que conheço e acho que a única pessoa que pode me entender! Eu me sinto como você, Kurt, queria que houvesse outra solução para almas como as nossas, pois quero lhe encontrar, mas não agora. Aprenderei inglês e irei atrás de você, pra debatermos coisas boas, escrevermos canções (eu quero ser escritora) e fazer qualquer outra coisa divertida que tem aí do outro lado.
Kurt, estou tão perdida, tão sufocada…
Por que o mundo fala de você como se fosse só mais um suicídio nas estatísticas? por que dizem que foi bom? Por que? Por que? por que?
Deveriam parar de tratar pessoas idiotas como Michael Jackson ou Mc Daleste como heróis porque você foi o verdadeiro herói, você simplesmente gritou pro mundo as maiores verdades, abriu um buraco na minha alma (e na da minha amiga Mali) e ainda mostrou que não estou eclodindo sozinha. Eu nunca mais me sentia sozinha, eu tinha você, tinha sua voz me consolando e me fazendo seguir em frente, ainda tenho de certa forma. Eu só queria ter estado viva quando você ainda era. Queria que sua filha também o conhecesse. Queria roubar sua dor pra mim, porque se você estivesse feliz eu nem sentiria nada.
Minha música preferida sua é Polly, não por eu quase ter sido estuprada por um drogado idiota que mantinha relações com a minha mãe no tempo vago (padrastos são os piores tipos de pessoa), mas porque sua voz cantando é ironicamente em paz, como se ninguém estivesse sofrendo, como se você estivesse falando que acabou o leite ou coisa do tipo e ao mesmo tempo sua voz vibra com um fio oculto do que a Polly sente: medo, confusão, dor, tristeza. Dá pra sentir, de algum jeito…
As asas cortadas. essa é a parte que mais toca em mim, não sei porque. Acho que as vezes sinto a dor das minhas asas tentando crescer, mas são tão acostumadas a serem aparadas diretamente que devem estar confusas, esperando outro corte.
Estava vendo seus videos no youtube e achei algumas fotos exclusivas da “cena do crime”. Tentei ver, desculpe, queria achar um vestígio de você em algum lugar fora das músicas, algo mais próximo do seu íntimo, porém percebi que aquilo era, além de doloroso, uma traição à você. Como pude ousar ver aquelas fotos? Elas distorcem o que você é… Você não é completamente aquilo, como diz a mídia. Você foi limitado a um suicida depressivo, mas você era mais que isso. Você era como uma tempestade, era forte, impiedoso, lindo, mortal, era milhares de antônomos juntos em uma pessoa. E é assim que quero imaginar que eu sou também.
Obrigada Kurt, por permitir que eu lhe conhecesse.
(http://i-thought-of-you-today-love.tumblr.com)
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