November 7, 2014

Querido meu eu morto,

Domingo agora, estarei morta. É difícil aceitar a minha escolha mas, sim, eu escolhi a morte. Eu estava errada quando disse “Eu era uma fada, mas agora eu sou eu. Eu me encontrei” sabe por quê? Porque eu não me encontrei, o meu eu está morto. E não há mais nada a se fazer para me salvar, eu não posso me salvar de mim mesma. E não posso salvar as pessoas a minha volta. Eu queria dizer que, se você estivesse aqui, talvez eu ainda estaria inteira. Mas já está decidido, eu vou me suicidar. Então escrevo para você, meu eu morto, para que entenda que literalmente, no domingo, estaremos mortos. E escrevo para dizer tudo, que eu queria que as pessoas me dissessem quando encontrarem meu corpo. “Nós entendemos você Raquel, sabemos que assim como Kurt Cobain, você está mais pesada que o céu, e o ar mais pesado que você. Nós aceitamos a sua escolha, agora você está livre, acho. Parabéns por isso. Nós ficaremos aqui, pensando no quanto fomos imbecis com você”. A Itaciara não te ama como você a ama, então faça-a sofrer, tudo o que você sofreu por ela. Não que ela mereça é claro. O seu melhor amigo, e todos os seus amigos te decepcionaram. Sua irmã mais velha sempre vai ser a que pode voar, sempre vai ser a que todos amam. Sua mãe nunca vai te ver como você realmente é, e se um dia ela ver, nunca deixaria que o resto do mundo visse também. Meu eu morto, em algum mundo que não existe para os vivos, o encontrarei, e seremos completos novamente. Seu pai se foi quando você tinha treze anos, e quando você tinha onze, um homem que você não conhecia, mas odeia, lhe roubou o que você não sabia que tinha, mas que sempre fez falta desde então. “Eu te entendo, meu eu, só nós sabemos como é aceitar o próprio fim. Na verdade, não só nós. Mas estamos juntos nisso. Por isso escrevo aqui, para deixar você ir de uma vez, para nos deixar partir. Sei que faremos falta para alguém, eu acredito que sim. Adeus, meu eu. Sei que você lutou contra si mesmo, e contra todo o mau. E você ainda não aceitava o seu fim quando dizia: “aquela palavra com S” e agora, até a palavra e até o fim, se tornou real”.

Beijos, R.
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